quarta-feira, 10 de março de 2010

Cap. 21 - Válvula de escape

Pedindo desculpas pelo atraso nas postagens, essa que voz fala pede encarecidamente que deixem comentários ao passarem pelo blog. Incentivem a gente a continuar postando e continuem opinando. Nós adoramos, e é a única forma de saber se o blog tem acessos :D


Na terça-feira Luís Pedro chegou ao colégio como de costume. Ainda dormia no mesmo lugar, pra não dizer que morava lá. Aquilo não era mais um lar.
Ao entrar pela grande porta de madeira, rumou direto para a sala de uma das diretorias, para entregar a dispensa das aulas que tinha perdido e justificar sua falta. A orientadora, de sua cadeira giratória, encarou-o com olhar que curioso que beirava a repulsa. Achava que a separação era algo absurdo, em partes porque nunca havia conseguido se casar, com isso valorizando tanto o matrimônio. O professor saiu logo da sala, a fim de evitar perguntas incômodas. Valorizava muito sua privacidade.
O dia prosseguiu quase normalmente e Luís evitava pensar no assunto, concentrando-se nas provas que deveria fazer. Na hora do almoço, não foi para 'casa' como de costume. Ia almoçar num restaurante lá do centro. Foi quando viu Sabrina indo em direção à fila para o almoço. Mandou uma mensagem, pedindo para que ela o encontrasse na esquina do colégio e parou o carro na rua, esperando por ela. Tinham muito o que conversar e quanto mais longe dos olhares curiosos e desocupados, melhor.

- Como você está? - disse Sabrina ao abraçar o amor de sua vida mais uma vez, preocupada com a situação. Os hematomas em seu rosto adquiriram uma coloração mais claras nesses três dias que se passaram.
- Eu estou bem. Coloquei tudo em pratos limpos.
- E...?
- E estamos nos divorciando.
- Só isso?
- Como só isso? Meu casamento de 20 anos acabou, eu vou perder todos os meus bens e meus filhos me odeiam. Acha pouco ? – Luís exasperou-se com tal tranqüilidade a da garota.
- Não, não acho. Me desculpe. Talvez só esteja esperando o pior, a separação eu já esperava.
- O que poderia ser pior do que isso?
- Sua mulher ameaçou denunciá-lo.
Luís ficou parado por alguns instantes. Esperava da esposa todas as atitudes básicas de uma mulher traída, e não tirava-lhe a razão. Menos por essa. Seria Rita capaz de ver preso o cônjuge de 20 anos, pai de seus três filhos? Tudo indica que sim.
- Bem...ela não o fez. Chamou seu advogado no sábado e já tivemos a primeira reunião ontem.
- Foi por isso que não veio dar aula?
- Sim. O divórcio já está em andamento. Ela pediu justa causa, alegando traição. Tem direito legal de 100% de tudo o que temos, inclusive a guarda de meus filhos. O engraçado é que mesmo que eu pudesse ficar com eles, não iriam querer me ver jamais.
- Contou tudo a eles? Tudo mesmo?
- Não menti. Contei pra Júlia o motivo da separação. E bem, não foi só em você que a Rita bateu – um riso sarcástico – Mas a dor emocional supera qualquer coisa.
- É, eu sei.
Nesse momento Luís Pedro abraçou Sabrina com força. Não resistiu aos olhos tristes e machucados da menina e sentia uma culpa incalculável. Comprometeu a vida de seus filhos e não menos a da criança á sua frente. Sim, era uma criança também.
- Sabrina eu...
- Diga Luís, diga.
- Eu perdi muita coisa, muita mesmo. Mas estou mais do que disposto a enxergar um novo rumo pra minha vida.
- E esse rumo seria?
- Eu gosto demais de você. Tenho sentido sua falta a cada minuto. Qualquer que seja esse rumo, você estará lá. Mais do que isso, será uma de minhas bases.
- Eu não sei o que dizer...
- Então não diga nada – O professor beijou-a docemente nos lábios, separando logo após. Estavam muito próximos do colégio e o risco de serem vistos era grande. - Vamos almoçar?
- Claro – a menina enxugou uma lágrima que caia pelo canto de seu olho, talvez fosse apenas felicidade.
Chegaram ao restaurante. Um lugar pequeno e confortável. Ambos deveriam chegar ao colégio somente as 15h e portanto, podiam levar certo tempo. Sentaram no canto mais afastado do lugar e as pessoas em volta julgavam serem pai e filha.
- Como estão os machucados? - Luís perguntou tão logo lembrou disso. Olhava tanto para os próprios problemas que esquecia-se de que a garota também havia sido afetada.
- Estão melhores, a dor já melhorou muito. O problema não é nem esse.
- Como assim?
- Disse pros meus pais que tinha brigado na escola, pra justificar as marcas. Por sorte meu pai não ligou no colégio, mas ele ficou furioso comigo. - esboçou um sorriso nos lábios, que exibiam um corte superficial.
- Acha que eles acreditaram nisso?
- Sim, pelo menos pareceu. Mas querem satisfações da D. Mariana.
- E você já deve ter tudo planejado né?
- Na verdade mal dormi esta noite pensando nisso. Já pensou nas proporções astronômicas que a coisa tomaria?
- Já tomou grandes proporções, menina. Falando nisso, estou com uma grande desconfiança.
- O que?
- Minha mulher já estava me traindo.
- Como assim???
- A testemunha do nosso divórcio, um amigo dela de Brasília. Minha vizinha contou que o tal sujeito já visitava Rita antes mesmo dela ir viajar. E o cara teve a coragem de dizer para mim, frente ao advogado dela, que era um amigo próximo da família.
- Mas vai acreditar numa vizinha mesmo?
- Não importa. Ela parece disposta a testemunhar e eu vou recorrer.
- Certo, só não vá se arriscar demais.
- O que eu tenho a perder? Você é tudo que tenho agora.
- Está falando sério?
- Sim, oras. E estou disposto a correr atrás da nossa felicidade, inclusive diga para seus pais que um professor seu vai conversar com eles a respeito da 'briga' que teve na escola.
- Você num tá falando sério né?
- Estou sim. Isso não pode ficar assim, é arriscado demais.
- Luís...
- Diga Sabrina.
- Eu te amo.

3 comentários:

Anônimo disse...

foffffffffffoooooo

Anônimo disse...

oooooooooooooinnn q fofooo.... ameii

Anônimo disse...

amei o capitulo posta mais