Pois é, estamos chegando na reta final. Só falta esse e mais um capítulo.
Nós temos ainda outras duas histórias paralelas, que podemos postar se quiserem.
Quanto ao cap. passado, não fez muito sentido pra vocês o porque dos pais terem descoberto, e também não fez ao Luis Pedro. É algo que vocês descobrirão mais pra frente, relaxem, nada vai ficar em aberto. O motivo dos pais terem descoberto é um fator decisivo na história.
Por enquanto, fiquem com o penúltimo capítulo.
Acabou.
A história de Sabrina e Luís Pedro havia chegado ao seu fim, tão repentinamente quanto pareceu.
O que era realmente estranho, porque no dia anterior, Sabrina e Luís planejavam viajar juntos mais uma vez.
Tudo começou imperfeito, e por tentar se tornar perfeito se quebrou.
Não podiam ficar juntos.
Nem Deus, nem a humanidade permitiriam.
Mas é preciso dar uma explicação cabível.
Porque nem as histórias que devem acabar tristes acabam sem uma explicação.
E também porque Luís Pedro sofreu demais pra acabar sem saber nem como o pai de Sabrina descobrira tudo. Nem fazia idéia do motivo. E isso lhe torturou durante tempo demais. Um tempo em que ele pediu licença da escola e não deu aula por um ano. Um ano de bebidas, um ano de melancolia, remédios. A falta de Sabrina lhe destruiu.
Até que num dia de outono, enquanto ele assistia mais um filme de drama na televisão, o telefone tocou.
“Júlia”, pensou ele.
Não.
Sabrina.
- Luís…?
A voz dela continuava a mesma. Inconfundível.
Mas ele teve dificuldades em assimilar. Sentou-se melhor no sofá, sentiu o coração bater mais rápido. A cabeça pareceu levar um baque, até um pouco de tontura teve.
- Sabrina? Sabrina, é você?
- Sim, sou eu, Luís.
- Sabrina, onde você está? O que houve, me diga, eu… eu quero te ver!
- Não posso, Luís. – ela nitidamente começara a chorar do outro lado – Estou em São Paulo. Faço faculdade aqui. Meus pais me obrigaram.
- Como? Como eles descobriram?
- Não é assunto pra agora. Só liguei hoje porque foi só ontem que me mudei da casa dos meus pais. Eles colocaram um identificador de chamadas e um gravador no telefone de casa. Têm me levado pra faculdade e buscado. Não me deixam usar celular. Cortaram minha mesada.
- Sabrina… - sua voz ficou chorosa e ele teve que lutar contra os próprios sentimentos – Eu sinto muito a sua falta.
- Também sinto a sua… - ela parou de falar pois o choro a impediu de continuar – Como… como… como você está?
Silencio do outro lado. Só o que ouviu foi espasmos de choro, respiração difícil, a dor clara e audível.
- Não dei aula o último ano…
- P...porque?
- Não estava suportando entrar naquela sala… olhar pra aquela carteira da frente… e não ver você... e saber que não estaria nem por perto, nem na mesma cidade. Tive que sair no meio da aula, fui a um psiquiatra e recebi dispensa por um ano.
- Mas… você está bem, certo?
- Estou afundado no sofá da sala olhando para os lados e ouvindo sua risada em todo canto.
- Ainda guardo nossa aliança. – ela disse, depois de um tempo, pois chorara mais com a última frase - Ainda a uso…
Luís sorriu entre as lágrimas e olhou para a aliança em seu dedo. Nunca mais a tirara depois da fatídica separação.
- Eu também, Sabrina… eu também… mas… por que não podemos nos ver?
- Meus pais controlam pra onde vou, o que faço.
- Então é isso. Não podemos mesmo ficar juntos. Nunca mais.
Ela chorou e não conseguiu responder. Ele a acompanhou.
- Quero que saiba que sempre te amei, Luís. Todo esse tempo, todo esse tempo eu amei só você e ainda te amo, pra sempre.
- Eu também, Sabrina. Pra sempre. Mas agora você tem que seguir sua vida. Você deve… ter uma vida independente da minha.
- Minha vida nunca será independente da sua. Mesmo que eu seja capaz de ficar com outra pessoa… mesmo assim ainda será você quem eu amo.
E assim ficou o casal por mais algum tempo. Agora já ligavam todos os dias, sempre. Tinham conversas amistosas, boas, cheias de saudade. Ela lhe falava sobre a faculdade de Engenharia Química, e sobre o quanto quis ter feito de Matemática só pra irritar os pais. Ele, que logo voltara a dar aula, falava sobre os absurdos que encontrava nas provas. E sempre, sempre ele perguntava como os pais dela descobriram, mas ela nunca disse.
Os fatos decorrentes, no entanto, foram bastante conclusivos.
Em primeiro lugar, dois anos se passaram.
Em segundo lugar, José Henrique, o marido de Rita, morreu.
Em terceiro, numa manhã de março, Luís recebeu outro telefonema de Sabrina. Este causou um forte impacto em sua vida.
- Luís… hoje… hoje eu vou me casar.
Ele sabia que ela estava saindo com um rapaz, e até zombava, por ele era cinco anos mais velho. “Mas não deixo de te amar, Luís. E sabe por que? Por que ele é cinco anos mais velho, e você é trinta e dois! É seis vezes mais!”. E não importava o quanto isso não fizesse sentido, era apenas motivo de risadas. Ele entendia e até ficava feliz dela seguir com sua vida, apesar de continuar dizendo que o amava, constantemente. Não podia disfarçar. Uma pequena parcela dele até gostava de ouvir eu te amo vindo dela, mesmo após dois anos.
Mas não tinha idéia de que ela ia se casar com o tal rapaz.
- É necessário. Não é por vontade minha.
- Não compreendo.
- Não posso te explicar agora.
- Sabrina, me explique pelo menos… pelo menos como seus pais…
- Não, Luís. Não posso dizer como meus pais descobriram. Não hoje.
- Senão hoje, então quando?
- Não sei.
- Você não gosta mesmo desse rapaz, gosta?
- Não. Ele é um bom homem, mas não. Eu… eu te amo. Demais.
- Está me torturando assim, sabia?
- Casando?
- Não, com esses mistérios. Fico feliz que eu não tenha causado impacto na sua vida o suficiente pra bloqueá-la para outros homens. Ainda queria que se casasse e tivesse uma família, filhos.
- Bloqueou… - ela disse – Eu não sou capaz de amar nem o homem com quem me casarei hoje… e não me imagino tendo um filho dele.
- Mas terá. E eu gostaria muito de conhecê-lo. Ainda não podemos nos ver?
- Roberto sabe que tive o que ele chama de caso com um professor. E sabe o quanto te amo. Não podemos nos ver, desculpe.
- Certo.
- Desculpe.
- Tudo bem. O fato de você se casar não diminui o que sinto. Nada diminui o que sinto. Tenho me mantido à base das suas ligações; Dependo delas mais do que dependo de comida. Por favor, não pare de me ligar.
- Digo o mesmo.