domingo, 26 de dezembro de 2010

Luis Pedro


Desenhei baseada vocês sabem em quem, mudando muita pouca coisa.

Mas é o Luis Pedro : )

Novo capítulo em breve, prometemos.

sábado, 16 de outubro de 2010

A pedidos

Um outro capítulo extra disponível para download em pdf AQUI

Deixem opniões e, se desejarem, pedidos com idéias de histórias. Esse é o último capítulo extra que temos pronto.
o/

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Capítulo extra

Após 5 meses, de repente, algumas pessoas começaram a nos procurar pela história, então resolvi upar o capítulo extra. É só baixar aqui, galera. E não esqueçam de dizer o que acham.
Se passa na época "dourada" dos dois. Se voltarem na história, vão ver que é mencionado que eles passaram um fim de semana na praia. Seria isso.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Cap.27 - Pedro

Eis aqui o último capítulo. Espero que aproveitem a leitura do final. Agradecemos muito mesmo os comentários e a atenção que nos deram! Adoramos que o blog sempre teve visitas e esperamos que tenham se divertido na leitura tanto quanto nos divertimos na elaboração da história. Bem, é isso. Comentem, opinem tanto sobre o final quanto sobre a história num geral, que os comentários serão lidos e levados muito em conta. E quem sabe em breve, se assim desejarem, colocaremos os dois contos paralelos!


Mais quatro anos se passaram.
Luís tinha 56 anos. Era meados de maio. O professor, agora aposentado, caminhava solitário na rua da escola. Tinha ido até lá buscar alguns documentos. Na mão direita ainda mantinha a aliança de compromisso. Pensava na última vez que recebera uma ligação de Sabrina. Fazia cinco dias já. Ela nunca ficou mais de dois dias sem telefonar, nos últimos seis anos. Pensara em ligar, mas tinha receio do marido dela atender. Ela mesmo dissera para esperar que ela ligasse. Estranho como a situação se reverteu, agora era ele quem não tinha nada a perder e ela quem tinha uma família da qual escondê-lo.
E foi assim, perdido em pensamentos que ele tomou o maior susto de sua vida.
Ao erguer a cabeça viu uma mulher. Sim, não era uma adolescente, uma criança, mas uma mulher. Alta, de cabelos pretos e pele muito clara. Andava decidida, sorrindo. Estava sozinha, aparentemente. Caminhava em sua direção. E antes que pudesse perceber, ela já o havia abraçado com força.
Sabrina agora era uma mulher casada, engenheira química. Arranjara um bom emprego numa multinacional localizada em Campinas. Estava longe de ser a mesma criança de tempos atrás. A vida a havia amadurecido bastante. Agora seu olhar era duro, de uma mulher de negócios. Tinha um sorriso mais leve nos lábios. Mas o abraço continuava o mesmo.
- Luís! Não acredito que te encontrei! Sabe quem eu sou, né?
Ele ainda estava meio atordoado, apesar de que o tempo havia sido bondoso com o professor. A idade aumentara, mas tudo que se notava eram alguns fios brancos.
- Claro que sei, Sabrina! – ele mal se agüentava de felicidade.
Não era como se não falasse com ela há tempos. Botavam o assunto em dia sempre, falara com ela há cinco dias.
- Então é por isso que não me ligou mais?
- Queria fazer uma surpresa.
- E o seu marido?
- Ah, tá em casa.
- Em São Paulo?
- Não, não. Mudei pra cá essa semana. Arranjei um emprego aqui.
- Entendo. Então poderemos nos ver agora?
- Se ainda quiser falar comigo…
- Claro que quero! Mal me contenho! Te ver depois de tanto tempo é… é fantástico. Você está simplesmente linda!
- E você continua o mesmo!
- Isso foi um elogio?
Ela riu bastante.
- Claro que foi.
Ele sorriu, mas o sorriso logo se desfez. Não tomou uma expressão triste, mas sim séria.
- Será que agora pode me dizer?
Ela pareceu perder o ar. O assunto realmente lhe pegou de surpresa. Mas era hora de dizer.
- Quer saber como meus pais descobriram?
- Isso.
Ela suspirou. A conversa dos dois, no entanto, foi interrompida por um garoto. Tinha cabelos pretos, olhos castanhos, uma criança. Tomava um sorvete azul. Parou ao lado de Sabrina e puxou sua blusa.
- Quem é esse, mãe?
O ar lhe faltou. Luís piscou os olhos algumas vezes para que tudo voltasse aos eixos, caso contrário ia desmaiar.
Sabrina pegou o garoto no colo.
- Bem, sabe como é. – ela disse, constrangida – Minha mãe notou que minha barriga estava crescendo e…
Luís ficou sem fala. Começou a gesticular e apontar o garoto.
- Ele tem seis anos, se é o que quer saber. – ela disse.
Seu peito subia e descia. Passou a mão no rosto e deu duas voltas em torno de si mesmo.
- Que moço estranho, mãe. – disse o menino.
- Ele é amigo da mamãe. Luís, venha cá, para de rodar e vem dar oi pro Pedro.
Luís tinha lágrimas nos olhos. Olhou pra ela, olhou pra linda criança, foi até eles e o carregou.
- Oi, Pedro. Tudo bem?
- Olá. Seu nome é Luís?
- Isso. Luís Pedro.
- Sério?! Nossa, mãe, não é o nome que a senhora disse que é do papai de verdade?

O que aconteceu depois, cabe à imaginação de cada um, mas vale dizer que tudo depois disso na vida de Sabrina… foram rosas.

FIM! (ou não)

sábado, 27 de março de 2010

Cap. 26 - Um rastro de vida

Pois é, estamos chegando na reta final. Só falta esse e mais um capítulo.
Nós temos ainda outras duas histórias paralelas, que podemos postar se quiserem.
Quanto ao cap. passado, não fez muito sentido pra vocês o porque dos pais terem descoberto, e também não fez ao Luis Pedro. É algo que vocês descobrirão mais pra frente, relaxem, nada vai ficar em aberto. O motivo dos pais terem descoberto é um fator decisivo na história.
Por enquanto, fiquem com o penúltimo capítulo.

Acabou.
A história de Sabrina e Luís Pedro havia chegado ao seu fim, tão repentinamente quanto pareceu.
O que era realmente estranho, porque no dia anterior, Sabrina e Luís planejavam viajar juntos mais uma vez.
Tudo começou imperfeito, e por tentar se tornar perfeito se quebrou.
Não podiam ficar juntos.
Nem Deus, nem a humanidade permitiriam.
Mas é preciso dar uma explicação cabível.
Porque nem as histórias que devem acabar tristes acabam sem uma explicação.
E também porque Luís Pedro sofreu demais pra acabar sem saber nem como o pai de Sabrina descobrira tudo. Nem fazia idéia do motivo. E isso lhe torturou durante tempo demais. Um tempo em que ele pediu licença da escola e não deu aula por um ano. Um ano de bebidas, um ano de melancolia, remédios. A falta de Sabrina lhe destruiu.
Até que num dia de outono, enquanto ele assistia mais um filme de drama na televisão, o telefone tocou.
“Júlia”, pensou ele.
Não.
Sabrina.
- Luís…?
A voz dela continuava a mesma. Inconfundível.
Mas ele teve dificuldades em assimilar. Sentou-se melhor no sofá, sentiu o coração bater mais rápido. A cabeça pareceu levar um baque, até um pouco de tontura teve.
- Sabrina? Sabrina, é você?
- Sim, sou eu, Luís.
- Sabrina, onde você está? O que houve, me diga, eu… eu quero te ver!
- Não posso, Luís. – ela nitidamente começara a chorar do outro lado – Estou em São Paulo. Faço faculdade aqui. Meus pais me obrigaram.
- Como? Como eles descobriram?
- Não é assunto pra agora. Só liguei hoje porque foi só ontem que me mudei da casa dos meus pais. Eles colocaram um identificador de chamadas e um gravador no telefone de casa. Têm me levado pra faculdade e buscado. Não me deixam usar celular. Cortaram minha mesada.
- Sabrina… - sua voz ficou chorosa e ele teve que lutar contra os próprios sentimentos – Eu sinto muito a sua falta.
- Também sinto a sua… - ela parou de falar pois o choro a impediu de continuar – Como… como… como você está?
Silencio do outro lado. Só o que ouviu foi espasmos de choro, respiração difícil, a dor clara e audível.
- Não dei aula o último ano…
- P...porque?
- Não estava suportando entrar naquela sala… olhar pra aquela carteira da frente… e não ver você... e saber que não estaria nem por perto, nem na mesma cidade. Tive que sair no meio da aula, fui a um psiquiatra e recebi dispensa por um ano.
- Mas… você está bem, certo?
- Estou afundado no sofá da sala olhando para os lados e ouvindo sua risada em todo canto.
- Ainda guardo nossa aliança. – ela disse, depois de um tempo, pois chorara mais com a última frase - Ainda a uso…
Luís sorriu entre as lágrimas e olhou para a aliança em seu dedo. Nunca mais a tirara depois da fatídica separação.
- Eu também, Sabrina… eu também… mas… por que não podemos nos ver?
- Meus pais controlam pra onde vou, o que faço.
- Então é isso. Não podemos mesmo ficar juntos. Nunca mais.
Ela chorou e não conseguiu responder. Ele a acompanhou.
- Quero que saiba que sempre te amei, Luís. Todo esse tempo, todo esse tempo eu amei só você e ainda te amo, pra sempre.
- Eu também, Sabrina. Pra sempre. Mas agora você tem que seguir sua vida. Você deve… ter uma vida independente da minha.
- Minha vida nunca será independente da sua. Mesmo que eu seja capaz de ficar com outra pessoa… mesmo assim ainda será você quem eu amo.

E assim ficou o casal por mais algum tempo. Agora já ligavam todos os dias, sempre. Tinham conversas amistosas, boas, cheias de saudade. Ela lhe falava sobre a faculdade de Engenharia Química, e sobre o quanto quis ter feito de Matemática só pra irritar os pais. Ele, que logo voltara a dar aula, falava sobre os absurdos que encontrava nas provas. E sempre, sempre ele perguntava como os pais dela descobriram, mas ela nunca disse.
Os fatos decorrentes, no entanto, foram bastante conclusivos.
Em primeiro lugar, dois anos se passaram.
Em segundo lugar, José Henrique, o marido de Rita, morreu.
Em terceiro, numa manhã de março, Luís recebeu outro telefonema de Sabrina. Este causou um forte impacto em sua vida.
- Luís… hoje… hoje eu vou me casar.
Ele sabia que ela estava saindo com um rapaz, e até zombava, por ele era cinco anos mais velho. “Mas não deixo de te amar, Luís. E sabe por que? Por que ele é cinco anos mais velho, e você é trinta e dois! É seis vezes mais!”. E não importava o quanto isso não fizesse sentido, era apenas motivo de risadas. Ele entendia e até ficava feliz dela seguir com sua vida, apesar de continuar dizendo que o amava, constantemente. Não podia disfarçar. Uma pequena parcela dele até gostava de ouvir eu te amo vindo dela, mesmo após dois anos.
Mas não tinha idéia de que ela ia se casar com o tal rapaz.
- É necessário. Não é por vontade minha.
- Não compreendo.
- Não posso te explicar agora.
- Sabrina, me explique pelo menos… pelo menos como seus pais…
- Não, Luís. Não posso dizer como meus pais descobriram. Não hoje.
- Senão hoje, então quando?
- Não sei.
- Você não gosta mesmo desse rapaz, gosta?
- Não. Ele é um bom homem, mas não. Eu… eu te amo. Demais.
- Está me torturando assim, sabia?
- Casando?
- Não, com esses mistérios. Fico feliz que eu não tenha causado impacto na sua vida o suficiente pra bloqueá-la para outros homens. Ainda queria que se casasse e tivesse uma família, filhos.
- Bloqueou… - ela disse – Eu não sou capaz de amar nem o homem com quem me casarei hoje… e não me imagino tendo um filho dele.
- Mas terá. E eu gostaria muito de conhecê-lo. Ainda não podemos nos ver?
- Roberto sabe que tive o que ele chama de caso com um professor. E sabe o quanto te amo. Não podemos nos ver, desculpe.
- Certo.
- Desculpe.
- Tudo bem. O fato de você se casar não diminui o que sinto. Nada diminui o que sinto. Tenho me mantido à base das suas ligações; Dependo delas mais do que dependo de comida. Por favor, não pare de me ligar.
- Digo o mesmo.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Cap. 25 - Separação

Gritaria.
-Tem certeza de que isso é o melhor mãe?
-Tem outra opção ? Você fez o que fez. Não se pode esconder algo desse tamanho! Devia ter pensando antes!
-Mas eu amo ele.
-E eu amo você e seu pai.
-Você sabe o que vai acontecer.

22 de Novembro. Sábado. Casa de Sabrina.
-Eu ainda sou sua filha! - Sabrina estava encostada em posição quase fetal num canto da parede da sala – Não me trate feito lixo!
-Você tem noção de que jogou seu futuro no lixo?
-O quê? Por quê? Ele é um homem como os outros, melhor ainda! O que meu futuro tem com isso?
-Você não vai mais pra Unicamp e ponto final!
-Como assim? Seu exagerado!
-Agradeça enquanto não meti a mão na sua cara! Mas não é na sua cara que quero bater!
-Pára pai, por favor – A menina gritava olhando para o telefone nas mãos de seu pai.
-Disca o número dele aqui!
-Eu que vou falar pai.
-Disca logo! - o homem se sentou, sentindo uma dor no peito devido ao extremo estresse.
Depois de alguns segundos, Sabrina pôde ouvir a voz de seu amado do outro lado da linha.
-Diga meu amor – a voz era doce, suave, e a menina sentiu-se sufocada pela própria dor.
-Luís, meus pais...eles...sabem de tudo.
-O quê? Como? - O coração parecia ter parado de bater por alguns instantes. Sentou-se evitando que as pernas não o sustentassem e ele caísse.
-Eles sabem e perguntar... - Sabrina foi interrompida pela mão forte de seu pai, que arrancava-lhe o telefone das mãos.
-Seu pedófilo! Seu sujo, criminoso! Como eu pude trazer um rato imundo como você pra dentro da minha casa!
-Olha eu...
-Não quero nem ouvir a sua voz! Você nunca mais vai vê-la, seu maldito destruidor de famílias... E ainda disse que tinha uma filha da idade da minha? Você ia gostar se eu estivesse dormindo com ela?! Seu ridículo!
-Senhor, eu...- Luís Pedro ouviu o som do telefone sendo desligado. Pensou rapidamente em ir de carro até a casa de Sabrina, mas desistiu. Ficou sem forças para tomar qualquer atitude e acabou se jogando no sofá. As mãos cobriram-lhe os olhos e vieram as lágrimas, a tristeza. Depois o ódio, a inconformação, a culpa. Caminhou até o banheiro e abriu o pequeno armário.
De lá, tirou dois comprimidos brancos e engoliu-os a seco. Deitou na cama e não viu mais nada naquela noite.

sábado, 20 de março de 2010

Cap. 24 - 18 anos

As coisas deram certo.
Por muito tempo, aliás.
Claro, tempo é algo relativo. Para Sabrina, aqueles três meses foram tudo que podia esperar da vida perfeita. Para Luís era viciante, algo que quer tanto que simplesmente não consegue ter o suficiente, por mais que tente. Estava completamente apaixonado, e se apaixonando mais. Doía que ninguém pudesse saber. Até mesmo sua filha, que já o havia perdoado, perguntou quem era a mulher com quem tinha saído, e compreendeu que ele ainda a visse, mesmo que não quisesse dizer quem era. Até por que, sua mãe já estava com outro. As férias já haviam acabado, no entanto, e os filhos voltaram pra Brasília, e Luís voltara a se encontrar com Sabrina direto. Saíam aos fins de semana, passaram um feriado prolongado na praia. Ele fez algumas dezenas de poesias em nome dela, e aquelas que não podiam ser deduzidas foram lidas em sala de aula, como numa representação de seu desejo reprimido de gritar para o mundo o quão linda era Sabrina.
E mais! Graças ás caronas constantes, Luís havia se tornado amigo da família. Não eram raras as vezes em que ia até a casa dela supostamente ensinar Matemática.
E era exatamente por isso que dia quinze de agosto, um sábado, Sabrina recebia quarenta pessoas em sua casa para um churrasco, todas da escola, e mais Luís Pedro. Fora tias, tios e avós. Era seu aniversário de 18 anos, e a menina estava eufórica. Não ficava muito perto do professor, para não despertar desconfianças. Ele ria, conversando com os pais dela. O pai, em especial, não podia deixar de perguntar se ela estava indo bem na matéria.
- Tirou uma nota baixa recentemente, mas já peguei no pé dela.
- E pode pegar mesmo! – autorizou o pai, colocando um pedaço de carne na boca – Senão ela não estuda!
Luís riu e concordou. Aliás, tem dado atenção aos estudos dela. Realmente a ajudava, a fazia estudar, mesmo quando ela não estava nem um pouco afim de abrir um livro. Seu desempenho tinha aumentado, ao invés de cair como normalmente acontece quando uma jovem começa um relacionamento. O que não era muito estranho, já que estava com um professor.
- E aí, Sabrina? Vi que convidou o Luís Pedro… - cochichou Pâmela – As coisas andam bem, heim?
- Melhor do que nunca. Meus pais estão amigos dele.
- Sério? Mas eles não sabem… né?
- Não, não, claro que não. Não quero nem pensar no que fariam se descobrissem.
- Mas trás o cara aqui? Não acha que é arriscar demais?
- Se quer saber, foram meus pais quem o convidaram, eu nem estava sabendo. Estava planejando sair com ele amanhã, depois da aula, pra comemorar o aniversário.
- Entendo… - disse Pâmela, parando pra olhar Luís Pedro – Ai, Sabrina, morro de inveja, daria tudo pra saber como é uma noite com ele…
- Você sabe como é. Eu já te contei detalhes o suficiente.
- Ai, você entendeu.
- Entendi, mas não vou emprestá-lo a você. – riu Sabrina.
- Olha pras outras meninas, Sah. – pediu Pâmela, apontando as que estavam nadando na piscina e andando ao redor da mesma.
Elas olhavam Luís Pedro constantemente. Talvez por ser um professor numa festa de uma aluna, mas o motivo mais provável era tentar atrair o olhar dele. Um bando de adolescentes de biquíni passeando pra lá e pra cá.
- Não fica com ciúmes?
Sabrina sorriu. Virou-se de costas para o lugar onde Luís estava, de forma que Pâmela estava à sua frente.
- Pra onde ele está olhando?
Pâmela buscou os olhos do professor e começou a rir.
- Tá olhando pra você feito um bobo.
- Não preciso ter ciúmes.
- Ah, vai saber. Se ele traiu a ex-mulher…
- Acontece que a ex dele estava longe e já não dava atenção pra ele. – explicou Sabrina. – Eu tenho dado todo o amor do mundo.
Nesse momento mais algumas meninas apareceram ao redor.
- Sabrina, me diz como você fez pro Luís Pedro vir no seu aniversário! – disse uma das garotas, Gabriela.
- Ah, é que meus pais combinaram dele me dar carona toda segunda e sexta, e acabaram ficando amigos dele.
- Você pega carona com o Luís Pedro duas vezes por semana!? – espantou-se outra garota – Nossa! Daria tudo pra isso! Se bem que ter o professor de Matemática amigo dos pais deve ser meio tenso…
- Pra Sabrina não, né, Sah? – disse Pâmela – Só tem tirado nota alta.
- Sua nerd. Boa em Quimica e Matemática.
Um garoto do segundo colegial aproximou-se do grupo de garotas. Pediu desculpas por interromper a conversa e dirigiu a fala à Sabrina:
- Sah, será que você pode dançar comigo?
Sabrina não achou motivos para recusar e juntou-se ao grande grupo de pessoas que dançavam no grande gramado. Não deu nem dois minutos, Luís Pedro se aproximou dos dois.
- Será que posso dançar com ela agora, Felipe?
O garoto encarou o professor um tanto quanto assustado com o fato, mas achou melhor não contrariar. Afastou-se da garota e ficou olhando de longe.
- Que ciúmes! – disse Sabrina. – Arriscar assim vindo dançar comigo só pra tirar o Felipe daqui?
- Foi seu pai quem pediu. – ele se justificou. – Não gostou de ver o garoto dançando com você de biquíni.
- E pediu pra você dançar no lugar dele?
- Viu como sou um bom exemplo?
- Pois é… Não sei o que meu pai faria sem você pra me pôr na linha.
- Se não quer dançar é só dizer.
- Eu quero. Só está estranho ter que ficar distante na dança.
- Depois nós vamos pro meu apartamento. Vamos jantar lá. Se quiser podemos dançar também.
- E vai ter vinho? Agora já posso, heim?
- Vai, vai ter vinho.
As outras meninas babavam olhando. Ficavam dançando ao redor, tentando fazê-lo ir dançar com qualquer uma delas. Mas Luís só tinha olhos pra Sabrina.
Quando a música terminou, Luís voltou a sentar-se com os pais da menina.
- Não dá pra deixar ela com um garoto qualquer daqueles, não acha?
- Olha, dou aula pra eles e sei bem que não é fácil entregar uma filha assim pra um garoto qualquer. – disse Luís.
- Tem filhos?
- Claro, claro. Três. Uma filha da idade de Sabrina.
- Ah, então deve saber como é.
- Sei, sim. Principalmente porque ela mora em Brasília, não dá pra controlar.
A festa foi até as seis da tarde. Na casa agora só estava a família, Pâmela e Luís Pedro, pois este havia combinado de levar as duas para o apartamento no centro. Elas arrumaram a mala da semana e entraram no carro do professor. Pâmela ia mesmo para o apartamento, mas para Sabrina os planos eram outros.
- Vê se não vai dormir tarde, heim, Sá? – disse Pâmela – Amanhã tem prova na primeira aula.
- Ela não vai dormir tarde. – disse Luís Pedro – Não vou deixar.
- É, os velhinhos têm que dormir cedo. – disse Sabrina, provocando-o.
- Do que você está falando? Sou eu quem vai te colocar pra dormir. – riu Luís Pedro.
O carro parou em frente o apartamento e Pâmela desceu. Deu tchau à amiga e o professor dirigiu à sua casa.
O apartamento já estava todo decorado, com sugestões de Sabrina. Havia diversas fotos dos dois por todo canto, revezadas com as dele com os filhos. Aparentemente nada de especial havia sido preparado.
- Vou fazer nosso jantar. – ele avisou – Depois vou dar seu presente.
- Presente? Vou ganhar presente?
- É só uma lembrancinha. Tem que ter né? A partir de hoje não estou mais cometendo um crime.
Luis se dirigiu à cozinha enquanto ela ligava a televisão na sala. A comida já estava parcialmente pronta, pois já deixara tudo com meio caminho andado. Era só pôr no forno e fazer um arroz.
Tirou o vinho da geladeira e levou duas taças até a sala. Entregou uma a ela e encheu.
- Está romântico hoje só porque é meu aniversário?
- E algum dia eu não sou romântico?
- Tem razão. Só que hoje está excepcional.
Ele se sentou ao lado dela, tomou um gole do vinho e a beijou. Logo em seguida se levantou e foi ver a comida.
- Não me disse que tinha prova amanhã na primeira aula. – disse Luís da cozinha.
- Não achei que fosse importante dizer.
- Tem que dormir cedo se tem prova.
- Você vai fazer o papel do Luís Pedro ou do professor de Matemática?
Ele apareceu com a comida e colocou na mesa, que já estava organizada.
- Do Luís Pedro, o professor de Matemática. Agora venha comer.
A comida estava divina, perfeita. Mas Sabrina não elogiou o tanto que ele merecia, pra que não ficasse com o ego alto demais. O vinho havia sido selecionado a dedo, um dos mais caros na coleção de Luis. Estava tudo indo como nos conformes.
Assim que o jantar acabou, ele segurou a mão dela e olhou em seus olhos.
- Agora quer receber seu presente?
- Você quem sabe.
Ele sorriu, tirou do bolso uma caixinha preta. O coração de Sabrina pulou. A caixinha foi aberta, revelando os dois anéis de prata que guardavam, talhados na parte inteira “Luís Pedro e Sabrina”.
Não teve nem tempo dos olhos lacrimejarem, as lágrimas vieram antes de tudo. As mãos tremeram, suaram frio. O coração queria sair do peito.
Luís tirou o anel menor e estendeu a mão, pedindo pra que ele colocasse a dela sobre. Riu devido à tremedeira dela. Encaixou o anel e entregou a caixinha para que Sabrina fizesse o mesmo.
- Claro que não poderá usar na sua casa. – ele disse – Na escola talvez baste mudar de dedo… se você não quiser usar eu…
Sabrina o interrompeu com um beijo e um abraço apertado. Sua emoção chega a ser tão grande que ele podia sentir o coração dela bater em seu peito. Ela ainda chorava. Talvez o momento mais feliz de toda sua vida. E se é que isso era possível, aquela noite fora a melhor que já passaram juntos. A mais despreocupada, a mais entregue.