Sabrina, desde que entrara naquele colégio gostava de Gustavo. Todas as garotas, desde que entraram naquele colégio, gostavam de Gustavo.
Durante dois anos tentou ficar com ele. E durante esses dois anos fracassou. No primeiro por não tomar coragem pra falar com ele e no segundo porque o rapaz começara a namorar. Na segunda-feira de sua segunda semana no terceiro colegial, ele pedira pra ficar com ela, dizendo ter terminado com a namorada.
Provavelmente o dia mais feliz da vida de Sabrina. Claro, não seria se ela soubesse da verdade, mas na ignorância, era o dia mais feliz de sua vida.
Pobre também da namorada oficial de Gustavo.
Mas de todas as pessoas que sabiam do que acontecia, haviam poucas que podiam dizer algo a Sabrina. E a única em quem Sabrina não tinha motivos pra duvidar era Luís, quem simplesmente não se intrometeria em sua vida.
Mas o destino dois era outro.
Naquele dia, depois da aula, uma das amigas de Sabrina veio até ela. Júlia.
- Sabrina, fiquei sabendo que você está com o Gustavo.
- Sim. – Ela encheu a boca pra falar.
- Você sabe que ele não terminou com a namorada, né?
Sabrina inflou.
- Claro que terminou. Eu estou com ele agora, entendeu? Eu.
- Mas eles…
- Eu acredito no Gustavo, me deixe em paz.
A semana toda Sabrina revezou entre o céu e o inferno. O céu enquanto esteve com Gustavo. O inferno enquanto suas amigas tentavam convencê-la de que ele a estava enganando. Aliás, enganando as duas, ela e a namorada oficial.
Sabrina não acreditava em nada disso. Parecia só inveja ou apenas má informação da parte delas. Ele tinha terminado sim, tinha até colocado solteiro no Orkut. E para os jovens, tal informação tem muita importância. Ao menos pra quem lê.
Mas chegou num ponto que suas amigas pararam de falar com ela.
“Você não acredita na gente, então fique cega e trouxa de amores por aquele babaca”.
Na sexta feira Sabrina estava completamente sozinha.
Não fosse por Gustavo.
Mas ter duas namoradas implica em dividir o tempo. Portanto durante um período, Sabrina ficava sempre sozinha.
Isso começou a doer.
E Sabrina, que sempre foi forte e nunca gostou muito de chorar, chorou.
Chorou sozinha, pois não havia em quem confiasse. Durante o intervalo sentou-se na classe e encolheu-se no fundo, no canto, e chorou. Por mais que estivesse apaixonada e namorando a pessoa amada, sentia uma tristeza forte. Isso porque no fundo, acreditava nas amigas. Mas não queria admitir.
E quando Luís entrou na sala a primeira coisa que viu foi a aluna chorando.
Caminhou até ela e sentou-se na carteira ao lado. Não tinha batido o sinal ainda, a sala estava relativamente vazia.
- Tudo bem, Sabrina?
A garota fez que sim e baixou a cabeça. Sentiu vergonha de chorar na frente do professor.
- Algo com a escola?
- Não… - murmurou.
- Se quiser falar, pode falar.
Ela continuou chorando de cabeça baixa. Ele achou que seria intrometer-se demais continuar perguntando. Ela achou que ia enchê-lo com seus problemas se contasse. Assim nada mais foi dito, além de números e fórmulas para as quais Sabrina nem olhou.
Não estava disposta para correr. Ia perder seu ônibus, sabia disso. Ia até o ponto por desencargo de consciência e voltaria pra dormir no apartamento. Até tinha as chaves dessa vez. Achava que dormir sozinha era o que merecia naquele momento.
Atravessou o corredor vagarosamente. Já não chorava, mas seus olhos estavam inchados. Luís a viu. Foi atrás dela. Tocou seu ombro e a chamou.
- Acho que vai perder seu ônibus de novo, não?
- É, acho que sim.
- Então poupe tempo que eu te dou carona de novo.
Ela não soube recusar. Ela não quis recusar.
sábado, 19 de dezembro de 2009
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2 comentários:
Fiquei meio que... confusa
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