sábado, 12 de dezembro de 2009

Prólogo

Dessa vez Sabrina estava convencida de que se daria bem em Matemática.
Ela nem fazia idéia do quanto se daria.
Fosse como fosse, sentou-se na primeira carteira. O professor voltara a ser o do primeiro ano, agora no terceiro.
E como diria Shakespeare, há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia, e por tais motivos não há nada que explique o modo diferente de olhar para o professor que Sabrina adquirira durante o último ano, em que sequer teve aula com ele. Tentar explicar é besteira, e por isso será apenas narrado, sem razão ou mesmo hipóteses.
Luis Pedro não olhou para a garota com outros olhos e seria mentira dizer que sim. Ainda tinha os mesmos olhos castanhos, cabelo curto. Ainda usava o mesmo cavanhaque e a camisa risca de giz com calça jeans e Allstar preto. Só uma coisa tinha mudado: dois anos a mais, que não eram perceptíveis de forma alguma. Bom humor e ligeiros devaneios (e outros nem tão ligeiros assim) ainda faziam parte de sua aula. Era o mesmo professor do primeiro colegial. E que agora parecia encantar um número ainda maior de meninas. Principalmente ao recitar suas poesias, narrar suas histórias, discorrer sobre a vida e outras coisas menos importantes. Difícil enquadrá-lo num único conceito, mas Luis Pedro era maturo, tinha a cabeça no lugar como poucos, mas gostava de divergir sobre tudo com bom humor. “Só sei que nada sei” é um bom modo de retratar como Luis, extremamente inteligente, pensava a respeito de si mesmo. Nada disso era novidade.
A única novidade era o olhar de Sabrina quanto a tudo isso.
Eram só trinta e dois anos de diferença.

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