quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Cap. 19 - Honra teu pai e tua mãe (e teus filhos)

Queremos pedir desculpas pelo atraso nas postagens, mas tivemos um, digamos, problema técnico no sábado. Então aqui está o capítulo 19 e sábado postaremos, sem falta o próximo. Comentem, façam perguntas, participem. Ficamos, mais uma vez, muito gratas pelas visitas e comentários!
No dia seguinte, Rita acordou cedo. Numa mistura de ironia e hábito, preparou café e saiu para contatar seu advogado. Luís e este teriam um pequeno encontro para resolver a parte burocrática do assunto, o qual ela não fazia questão nenhuma de estar presente.
Luís acordou sentindo o cheiro de café no ar. Deprimiu-se ao ver a casa vazia e o café pronto, sabendo que era uma das últimas vezes que acordaria naquela casa. Mas a culpa era sua, só sua.
Foi em direção a cozinha, passando pelo corredor que ligava à sala. Encarou-se no espelho, parando para observar as fotos dele próprio e a esposa, além de fotos com os filhos. Lembrou-se que deveria telefonar para eles.
Sentou no sofá com o telefone numa das mãos e a xícara de café na outra. Respirou fundo e discou. Alguns segundos depois, ouviu a voz do filho ao telefone.
- Pai?
- Sou eu filho. Como estão as coisas?
- Tudo bem, e com você e a mamãe? Tô com saudades já!
- Também estou Lucas, também estou. Sua irmã está aí?
- A Júlia?
- Sim, ela.
- Sabe como é, ela chegou tarde duma festa ontem, ainda tá dormindo... Mas eu chamo ela.
Pensou na filha indo a festas, sozinha em outro Estado, sentiu uma pontada no peito. Mas existem coisas piores, pensou ele.
- Um abraço filho.
Esperou algum tempo enquanto seu filho ia chamar a irmã. Não sabia como dizer, nem exatamente o que dizer. Mas o que é certo é certo, deveria falar o quanto antes.
- Papai?
- Júlia, que saudades! Como vai a vida? Tudo certo?
- Tudo pai, tudo – a menina estava com a voz embargada pelo sono
- Senta aí que eu quero conversar com você.
- Pára de drama pai, fala logo. Tá tudo bem com a mãe?
- Tá, tá...ela tá bem. Mas as coisas andam mal.
- Que coisas?
- Nosso casamento. Nosso relacionamento entrou em crise profunda.
- Eu já sabia, a mãe disse que vocês iam tentar melhorar, mas que caminhava pro fim.
- Ela disse isso? - perguntou Luís, espantado. Não pensava que ela estava tão certa assim do divórcio mesmo antes da traição - Enfim,vou direto ao ponto. Acabou.
- Acabou? Como assim acabou?
- Acabou ué...sua mãe pediu o divórcio e nós vamos nos separar. Sem grandes dramas, não vamos mais morar juntos, encare assim.
- Mas mas...por quê? Do nada isso? Aconteceu alguma coisa que eu não estou sabendo?!
- É pra isso que liguei... Eu ví outra pessoa filha...
- Viu? O que quer dizer com viu?!
- Eu saí com outra pessoa.
- Você saiu com outra mulher? Você traiu a mamãe? Achei que fosse o contrário, nunca esperaria isso de você. Como você pôde?! Ela deve tá sofrendo muito, você destruiu a família!
- Júlia, por favor... não estou pedindo pra que entenda, nem pra que aceite. Só estou te dando noção do que aconteceu, pra justificar a sua mãe e o divórcio. Te contei assim porque sei que você é madura o bastante pra lidar com isso.
- Que absurdo! Mas não vou derramar nenhuma lágrima por isso, vocês que se resolvam. Minha mãe pediu pra que isso acontecesse pela forma como vinha te tratando...Só não esperava que você fosse capaz. Só me diz uma coisa?
- Digo.
- Era uma prostituta barata?
- Não, não era.
- Tudo bem pai. Só não pense que vou olhar pra você do mesmo jeito de novo.
- Eu esperava por isso. Me desculpe Jú, me desculpe.
- Vou desligar. Até.


Luís fitou a parede por alguns instantes. Tinha ferido a filha profundamente, e esta sempre teve grande admiração por ele. Imaginou os irmãos contando para a caçula sobre a separação. Foi quando o disparar da campainha chamou-lhe a atenção, tirando-o de seus devaneios. Viu pela janela um homem alto, no auge de seus 30 anos, de pele morena. Usava um terno escuro e tinha uma pasta na mão.
- Pois não? - disse Luís ao interfone.
- Estou procurando por Luís Pedro. Meu nome é Rodrigo Fernandez, sou advogado da Senhora Rita.
Assim tão cedo? Rita estava mesmo ansiosa pelo divórcio.
- Já vou sair.
Luís vestiu um chinelo e saiu. Era por volta de nove da manhã, talvez mais, não soube dizer. Não estava de bom humor. Pelo contrário, estava acabado emocionalmente. A saudade de Sabrina também não ajudava.
O homem tinha um jeito frio, expressão dura. Usava um óculos redondo, na frente dos olhos sérios. Esticou a pasta para Luís e pediu que assinasse um documento.
- Os acordos matrimoniais estabelecem que Rita tem direito à 100% da posse dos bens do casal se o divórcio for por justa causa. O senhor tem o direito de recorrer.
- E ela realmente está pedindo isso?
- Como diz no contrato que o senhor acabou de assinar. – ele afirmou. A reunião está marcada para segunda feira. O endereço está no envelope.
- Dou aula de segunda-feira.
- Dentro do envelope há também uma dispensa caso necessite. Tenha um bom dia. – e saiu.

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