Pâmela insistiu durante duas horas para que Sabrina fosse fazer boletim de ocorrência. Mas o que diria? No fim, corria o risco dela acabar realmente denunciando o próprio marido e ele iria preso, não ela.
A amiga também insistiu que fossem no médico, mas Sabrina tirou essa idéia da sua cabeça rápido. O estômago doía bastante, mas estava bem. Só o que incomodava era a cicatriz no rosto. Ao redor estava roxo devido à pancada. Não tinha como disfarçar isso.
No dia seguinte foi pra escola como de costume. As amigas perguntavam o que tinha acontecido, ela dizia que cortara-se com a própria unha. O que não explicava o hematoma ao redor, mas realmente não se preocupou com isso. Luís Pedro já devia estar sabendo da coisa toda, imaginou. A mulher deve ter feito um escândalo ao chegar em casa.
Sentou-se na carteira do fundo novamente. Os olhos estavam inchados de tanto chorar a noite toda e o estômago ainda doía. Nele havia uma marca enorme, meio verde, meio roxa. Ficou feliz que não fosse em lugar visível.
Luís Pedro não pretendia falar com ela. Mas ao vê-la machucada, adiantou o fim da aula para perguntar o que tinha acontecido.
- Se machucou? Como foi isso?
- Você sabe. – ela afirmou, desviando o olhar.
- Sei? Como assim? – ele estranhou.
- Sua mulher não disse detalhes de ontem?
Luís gelou dos pés à cabeça.
- Minha mulher? Ontem? Como assim, o que houve?
- Ela foi cínica o suficiente pra fingir que não aconteceu nada!? – espantou-se Sabrina – Que infeliz! Só pra que fosse eu a te contar!
- Tanto faz, diga logo!
- Ontem sua mulher apareceu em frente o meu apartamento. Pediu pra conversar comigo, mandou eu ficar longe de você, disse que sabia de tudo, até o número de casa ela tem, ameaçou contar pros meus pais, mesmo quando eu disse que meu pai iria te denunciar. Daí me deu um tapa e o anel cortou meu rosto.
Luís quase desmaiara no meio da história.
- Ela… sabe…?
- Sim. Não sei se sabe de detalhes. Parece que ela leu a mensagem que mandei pra você antes de ontem. Pelo celular.
O professor tapou a boca com a mão e permaneceu paralisado. Na noite de ontem ela disse sobre resolver um assunto pendente. Então era isso. Ela foi falar com sua amante, voltou e teve a frieza de lhe tratar com bom humor. O ódio dela havia superado a decepção. A coisa era: Como a encararia agora? Fingiria que não sabia de nada? Difícil. Se sabia de tanta coisa assim, sabia que era professor de Sabrina e que acabaria vendo-a machucada e perguntaria o que houve. E Sabrina não teria motivos pra mentir. Estava tudo correndo como sua mulher previra e planejara. Luís achava que a enganava, mas no fim acabou sendo enganado por ela.
- Ela te machucou muito?
Sabrina olhou para os lados e notou que a sala estava vazia. Levantou a camiseta o suficiente para que ele visse o enorme hematoma em seu estômago.
- Meu Deus… - espantou-se ele – Não sabia que ela era capaz disso…
- E agora? – questionou Sabrina – Como vai ser?
- Vou conversar com ela hoje à noite. Deseje-me sorte.
Luís ainda ficou sentado no banco do carro alguns minutos, com a cabeça tombada para trás. O coração batia sem ritmo, ele pensava em tudo que tinha acontecido. Em como sua vida deu uma volta gigantesca desde alguns meses atrás. Agora precisava pensar no que dizer à mulher. “Desculpe, querida, por te trair com uma garota da idade da nossa filha”. A pior parte de tudo é que o envolvimento com Sabrina já estava tão grande que ele via como maior encruzilhada o fato de não saber se seria capaz de esquecê-la. E a garota também não dava o menor sinal de tentar esquecê-lo.
Fato era que se a visse com outro rapaz… não sabia o que faria. Já gostava demais daquela menina.
E não fazia a menor idéia do que era melhor. Mas por convenção, estava determinado a correr atrás do amor de sua esposa. Era o melhor para os filhos, com certeza. Não queria que sua caçula crescesse dizendo que tem os pais separados. Nunca achou isso bom. Pra Luís Pedro, amor era algo muito importante, e os filhos deviam ter exemplo dentro de casa. Agora ele estava sendo o exemplo do que não ser. E pensou no que faria se um homem de sua idade se envolvesse com sua filha de dezessete. Não conseguiria se controlar, faria uma besteira, com certeza.
Desligou o rádio e saiu. Não bateu a porta com força, para não revelar sua presença. Não queria que fosse tudo como ela planejava. Rita já estava com vantagem, por saber exatamente o que falar, que horas ele chegaria, o que fazer, o que queria. Ele não.
Tirou as chaves de casa do bolso, respirou fundo e abriu a porta.
Rita estava sentada no sofá da sala, com a televisão desligada, lendo uma revista. Quando o viu entrar, guardou-a e o encarou.
- Boa noite, Luís Pedro.
Ele suspirou. Estava nervoso com a conversa. Sentou-se na poltrona, de frente para ela e ficou curvado, esfregando uma mão na outra, apoiado nas pernas pelos cotovelos.
- Pode falar. – ele disse. – Vou ouvir até o fim.
- O que quer que eu diga? Já fiz o que tinha que fazer e você também. Inclusive o que não deveria, não é? Você é inteligente, Luís. Você sabe que o que fez foi errado, e ouso dizer até que se sente culpado. Afinal, aquela vadiazinha tem a idade da Júlia. Mas deve saber também que não vou perdoá-lo e que quero separação.
Rita o vencera de todos os modos possíveis. Primeiro, descobriu que a traíra. Depois, descobriu quem era e onde morava. Ainda surrou a garota. E agora antecipava tudo que teria para usar em sua defesa.
Era uma luta injusta.
- Não há nada que eu possa fazer pra reverter meu erro? Não penso em continuar me encontrando com Sabrina nem se estivermos separados. Eu sei que não posso.
- E por que não pode? Por causa dos nossos filhos? Porque eles teriam vergonha de olhar na cara do pai? Ou seria por causa dos pais dela? Será que eles permitiriam um homem da sua idade com a filhinha deles? Ou será que não pode por causa do seu trabalho? Afinal, o que pensariam de um professor que namora uma aluna menor de idade?
- Eu sei de tudo isso, Rita, não precisa dizer.
- Claro que sabe. Caso contrário não estaria aqui abanando o rabinho, não é mesmo?
- Certo… não vou discutir com você. Já deixou bem claro que não está disposta a ouvir. Nosso casamento estava indo por água abaixo há bastante tempo, você já não me amava, não tem como te convencer a me perdoar por algo tão grave quando você ia terminar por muito menos. Vamos nos divorciar.
- Sim, nós vamos. Não há a menor chance disso não acontecer. Não é esse ponto que deve ser discutido aqui.
- Então…?
- Só quero lhe fazer algumas perguntas de praxe. São algumas curiosidades minhas. Por exemplo, pra que você se envolvesse com uma garota, com uma aluna, ela teria que ser muito atraente. E pelo que vi, apesar de ser bonita, não é excepcionalmente linda. Por que então?
Luís não pretendia mentir.
- Ela tinha perdido o ônibus e eu dei carona até a casa dela, onde mora aos fins de semana. É perto daqui. Acabei dando carona vários dias e num desses, ela disse que os pais não estariam em casa. A convidei pra jantar e disse que depois a levaria de volta. Tomei um vinho, perdi a cabeça.
- Tenho algumas considerações a fazer a respeito disso. Primeiro, era ela quem estava no carro quando liguei de Brasília e ouvi uma voz feminina, não é? Engraçado. Irônico, talvez. Outra coisa: Tomou vinho com ela aqui? Santo Deus, Luís. Você sempre perde a cabeça quando toma vinho, não dá pra te perdoar por estar bêbado.
- Eu sei. Apenas não acreditei que tivesse coragem de tocar naquela menina. Não considerei essa hipótese.
- Outra coisa. Foi aqui em casa? Onde? Na nossa cama?
Luís olhou para o sofá onde a esposa estava sentada. Dessa vez considerou uma mentira leve.
- Sim.
Rita cerrou os dentes, levantou-se e caminhou até ele, dando-lhe um forte tapa. Luís podia ter evitado, mas não o fez.
- Teve a coragem de transar com aquela garota na nossa cama!? Sob o teto da nossa casa!?
- Faz diferença?
- Não se lembrou de mim em momento algum! Transou com aquela garota na cama onde engravidei dos nossos três filhos!
- Aconteceu porque estava com saudade de você! Bebi por saudades de você, ela me consolou porque eu estava com medo de nos divorciarmos!
- E pra acalmar a dor me traiu!? – outro tapa. – Ótima solução, mais um motivo pra nos separarmos e por culpa inteiramente sua!
Rita então deu dois passos pra trás e tentou voltar à postura.
- Mas esse não foi o único encontro, não é mesmo?
- Não.
- Se foi apenas porque tinha saudades, se foi um acidente, se foi porque estava bêbado, por que continuou?
Luís suspirou e pensou em como contar o resto.
- Tentei cortar relações com ela. Pra me afastar, pra tentar esquecer aquele erro. Fiquei pensando naquilo dia e noite, me culpei, bebi mais, não conseguia dormir. Fui grosso com ela, a tratei mal, tentei afastá-la. Mas ela… ela veio atrás de mim, me provocou, não aceitou que eu a afastasse. Ficou uma semana me tentando, até que não consegui…
- E a trouxe pra casa de novo.
- Não. Foi no apartamento dela.
- E não parou por aí.
- Não. Tentei dessa vez não ser grosso. Tentei não dar motivos pra ela ficar brava, pra que não me provocasse mais. Expliquei que era errado. Deu tudo certo por um tempo, mas eu…
- Você? – disse Rita, como se soubesse o que vinha a seguir.
- Eu… - Luís não sabia como continuar. As palavras ficaram na boca.
- Você foi atrás dela.
Ele se calou.
- Bem que ela disse. “Eu amo o Luís Pedro e ele também gosta de mim” – disse, imitando Sabrina de forma afetada – Aquela cachorrinha deve ter ouvido muito de você. Estava completamente perdida, como uma adolescentezinha apaixonada.
- Desculpe…
- Não, não desculpo – disse, rapidamente – Mais uma coisa. Foi bom? Se sentiu amado? Foi melhor do que comigo? Ela sabia te agradar?
Esse era o tipo de pergunta que toda mulher traída tem vontade de fazer, mas poucas fazem. E poucos maridos têm a resposta para ela. Isso porque na maioria das vezes o homem não trai por sentimento e tais perguntas não fazem sentido. Mas para Luís fazia.
- Foi inundado de culpa. Mas não posso mentir dizendo que não gostei, senão não teria ido atrás dela.
- Bom, era só isso que queria saber. Amanhã você receberá notícias do meu advogado. Vou exigir nossos bens, já que fui traída. – ela se preparava para subir as escadas até o quarto – Ah, quase ia me esquecendo. Amanhã você vai ligar pros nossos filhos e contar do divórcio. Não vai mentir.
E subiu as escadas.
Naquela noite ambos tiveram dificuldades para dormir. Luís no sofá e a esposa na cama – de um dos filhos, claro – cada qual pensando no que viria a seguir. Uma coisa era certa : nada seria mais como antes.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
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7 comentários:
confusaaaao atoron!
nossaaa q confusãoo.... soh espero q td de certo no final...
gosto mtooooooooo da sabrina com o luiis, prefiro eles juntos, mas deu dó da rita
Que um raio parta a cabeça de ritaa..
Amandooo *-*
muito boom, meniinas =D aliás... fico pensando se as coisas naum estao dando certo demais pra mocinha kkkkkkkkkkk mas tenho CERTEZA que vcs vao me surpreender e que alguma coisa vai virar td isso ai d novo k2 kkkkk beeijoos ;**
ps.: naum que eu naum queira que de certo, dãr hahahahha maaaas...
ps.: naum que eu naum queira que de certo, dãr hahahahha maaaas...
nao tao mais postando??
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