Sabrina passou mais um dia sem sequer dirigir a palavra à Luís Pedro. Além de ser quinta-feira, o professor passou a maior parte do tempo na sala dos professores. Não sabia se tentando evitá-la ou coisa parecida, mas se sentiu incomodada.
A última aula finalmente acabou e ela saiu cabisbaixa. Sua amiga Pâmela já devia estar no apartamento, pois matara a aula de História.
Saiu do colégio e olhou para os lados. Nem sinal de Luís Pedro. Caminhou até o apartamento e quando já quase entrava no prédio, ouviu uma voz feminina chamar seu nome.
Virou-se de imediato. A mulher era alta, magra. Vestia-se bem, tinha um leve sorriso nos lábios finos. Cabelo até os ombros, castanho escuro. Bonita para a idade, sem muitas marcas do tempo.
- Será que eu poderia falar com você? Meu nome é Rita, sou a esposa do Luís Pedro, seu professor.
Sabrina paralisou. Estava sem fala. Seus membros perderam a força, tamanho o choque. Ela sabia? Como podia voltar num dia e dois dias depois saber até onde morava? Não, não era possível. Apenas uma imensa coincidência. Então era melhor não dar brechas.
- Eu ia sair agora… - inventou.
- Não se preocupe, é rápido. Vamos até seu apartamento, assim não perde tempo. Você mora aqui, não é? – disse ela, apontando o prédio.
- Sim…
Atrapalhada demais com a surpresa, Sabrina não soube recusar. As duas subiram pelo elevador, onde se formou um silêncio constrangedor. Sabrina tremia, mas tentava disfarçar. A pior parte era a apreensão de não saber o que seria discutido.
Entraram no apartamento, onde Pâmela assistia televisão, comendo pipoca. Assustou-se com a visita repentina.
- Poderia pedir pra sua amiga se retirar? – pediu Rita baixo, por educação – É assunto pessoal.
Sabrina começou a suar frio.
- Pâmela… pode nos dar licença?
A garota se levantou perguntando com os olhos quem era aquela mulher.
- Serei breve. – afirmou Rita – Logo poderá voltar.
Pâmela fez que sim e saiu.
O rosto de Rita então mudou.
Ela cruzou os braços e olhou no fundo dos olhos de Sabrina.
- Quero que se afaste do meu marido.
Ela sabia. E naquele momento Sabrina viu sua vida passar diante de seus olhos. Como descobriu tão rápido? Em apenas dois dias descobrira e nem falara com Luís essa semana.
Impossível. Tinha que ser só desconfiança. Não podia morder a isca se ela estava apenas jogando verde.
- Como me afastar dele? É meu professor, não sou eu quem escolhe isso.
- Você sabe do que estou falando, você é amante do meu marido.
- Como assim, de onde tirou isso?
Rita calmamente retirou o celular do marido de dentro da bolsa. Deu uns cliques e leu a mensagem, com voz afetada:
- Tem sido difícil pra mim. Não agüento mais ficar sem te ver. Ser apenas sua aluna está me machucando. Hoje, na aula, fiquei te olhando sem prestar atenção em mais nada. Não sei mais o que fazer. Beijos, Sabrina.
Claro que a garota reconheceu imediatamente e gelou.
- Só porque está assinado por Sabrina não quer dizer que seja eu. Tem muita Sabrina no mundo.
Rita pareceu não ouvir o que a garota disse. Mantinha os olhos no celular, de forma que um silêncio se formou e só foi quebrado pelo celular de Sabrina que tocava. No visor, o número do celular que estava na mão de Rita.
- Vai dizer que seu número como remetente também é coincidência?
Sabrina se calou.
- Olhe, menina, para o seu bem, fique longe do Luís.
Ótimo. Agora não tinha mais nada a perder.
- E o que faço se ele vier atrás de mim, tia?
Os olhos de Rita se inflamaram.
- O número das sua casa é 3257-4845? Seus pais sabem que está saindo com um homem casado com o triplo da sua idade? O que acha que eles fariam?
- Meu pai denunciaria o Luís! Não faça isso ou seu marido será preso!
- Acha mesmo que me importo com isso se ele realmente vai atrás de você?
- Você não ama seu marido! Como pode dizer algo assim? – berrou Sabrina.
Os gritos da menina foram interrompidos por um forte tapa desferido contra a pele branca de Sabrina. A marca apareceu rápido, junto ao corte causado pela pedra incrustrada na aliança de casamento de Rita.
- Amei meu marido por vinte anos para uma vadiazinha feito você aparecer e acabar com tudo! – bradou ela.
Sabrina ainda se recuperava do tapa quando a raiva a fez partir pra cima de Rita.
- Não tenho culpa se você não foi suficiente pra ele! Só aconteceu porque você não estava lá!
Rita desferiu uma joelhada no estômago de Sabrina que a fez cair sem ar no chão.
- Estava trabalhando, diferente de certa vadia que não tinha mais nada pra fazer além de dar pro marido das outras!
- Eu amo o Luís Pedro! – ela gritou, ainda no chão – E ele também gosta de mim!
Rita inflou de ódio e desferiu um chute em seu estômago, com o bico do sapato. Sabrina se contorceu no chão.
- O amor dele está diminuindo sua dor agora? Seu amor por ele vai tirá-lo da cadeia? O amor de vocês fará seus pais entenderem essa relação? Acorda, garota. Isso não significa nada.
Dizendo isso, guardou o celular novamente na bolsa, arrumou o cabelo e saiu do apartamento, batendo a porta.
Lá fora, Pâmela aguardava sentada num banco, ouvindo música no mp3. Rita sorriu gentilmente.
- Já acabamos. Obrigado.
E entrou no elevador.
Quando Pâmela entrou, Sabrina ainda estava no chão.
Quando Rita chegou em casa, Luís Pedro já estava lá, sentado no sofá da sala, assistindo o jornal.
- Boa noite, querido! Como foi seu dia?
- Ótimo, obrigado. – ele respondeu, surpreso pelo bom humor repentino dela.
- Que bom. Também tive um bom dia. Resolvi uns assuntos pendentes. – e lhe deu um beijo.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
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2 comentários:
nooooooossa, loucura! rs
Ritafilhadapuuta! hahahha que ódio que dá neh?! kkkkkkkkk ameei²
Beeijooos ;** s2
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