Não postamos ontem por força maior. Sorry!
Durante o fim de semana Sabrina não arriscou ligar para Luís. Passou o sábado e o domingo sem conseguir tirar da cabeça a volta de Rita. O que aconteceria agora? Ela tinha desconfiado de algo? Ele a deixaria para sempre agora que tem a esposa de volta? Deixaria de gostar dela? Aquelas palavras ainda ficavam rodando em sua cabeça. “Estou gostando de você”. Nunca imaginaria ouvir isso de Luís Pedro, seu professor. Ainda lhe dava um frio na barriga pensar nisso. E em seguida uma agonia momentânea ao imaginar que talvez nunca mais pudesse ficar com ele.
Mas conseguiu sobreviver à apreensão do fim de semana. Seus pais desconfiaram, mas não conseguiram extrair nenhuma informação dela. Na segunda-feira estava com os nervos à flor da pele. Não havia nada que a acalmasse. Só relaxaria ao ouvir notícias de Luís Pedro.
Assim que o avistou correu até ele. O professor olhou para os lados para ter certeza de que ninguém desconfiaria e cumprimentou a aluna.
- Sabrina, acho que minha mulher desconfiou.
Ela gelou da cabeça aos pés. Começou a tremer.
- Por que? O que houve?
- A vi vasculhando minhas coisas durante a noite. Não sei para que fim, mas na atual situação é melhor tomar cuidado. Portanto não ligue mais em casa.
- Tudo bem… mas… e quanto a nós dois?
- isso já ficou esclarecido na noite de sexta.
Ela se esforçou ao máximo para não dar a perceber a tristeza que sentia, meramente porque alunos passavam ao redor.
- Mas Luís…
- Sabrina, tudo mudou agora. Não é mais uma questão de evitar um envolvimento maior. Tem a Rita. Não posso mais te levar pra minha casa, nem ir pro seu apartamento. Nem se quiséssemos, não podemos mais nos encontrar.
Sabrina mordeu o lábio inferior e seus olhos se encheram de lágrimas.
- Agora que sua mulher voltou, você vai me esquecer?
Ele ficou em silêncio pois realmente não sabia a resposta.
- Só o tempo dirá.
Ela então olhou nos olhos dele, e Luís sentiu que aqueles olhos claros penetravam nos seus.
- Você quer me esquecer agora que ela voltou? – corrigiu Sabrina.
- O que aconteceu nunca devia ter acontecido. Eu quero te esquecer e quero que me esqueça, para evitar sofrimentos. – ele a observou desviar o olhar e continuou – Mas na atual situação, meu maior medo é que isso não ocorra.
- Pois eu tenho certeza… - uma pausa para segurar o choro – tenho certeza de que não vou te esquecer.
- Com o tempo esquece.
- Te vendo todos os dias? Tendo aula com você? – um leve riso – Não acredito muito nisso. E ainda sofrendo por não poder nem… falar com você, ser honesta, ter outra das nossas conversas…
- Se quiser pode me mandar mensagens pelo celular. Pelo menos isso fica comigo e ela não vai ver.
- Tudo resumido a mensagens de celular… - ela suspirou – Bem… é mais do que eu imaginava que teria no começo. – ela lhe deu um pequeno e curto sorriso triste e saiu.
Na terça-feira, os dois acabaram se desencontrando e não se viram. Sabrina sentiu saudades, mas tentou não procurá-lo, para mostrar que estava sim se esforçando para esquecer. Ele também não a procurou, então ficaram na mesma.
Na quarta-feira houve em Luís uma sensação de dejá-vu. Sabrina se sentou no fundo da classe, e houve até comentários por parte dos alunos sobre como ela mudava de lugar. A garota parecia triste, e Luís se preocupou, mas soube disfarçar bem e não foi atrás.
Ao fim do dia os dois não se agüentavam de saudades.
Luís dirigiu até sua casa sem saber direito o que sentir. Pensava que teria de voltar pra casa e ver Rita, e não Sabrina. Culpou-se por não gostar de tal coisa. Ligou o rádio. Tocava MPB. Ajudou a dirigir com mais calma.
Chegou em casa, guardou o carro na garagem e entrou, sentando-se no sofá. Sentiu o cheiro da comida pronta. Lembrou-se da primeira noite em que trouxe Sabrina até lá. Disfarçou a saudade do rosto e foi até a cozinha, onde sua mulher já preparava seu prato.
Em seu bolso, o celular apitou. Tirou-o e verificou que a bateria acabava. Pediu licença e foi colocá-lo para carregar em seu escritório.
O jantar correu normalmente, em silêncio. Talvez um tanto quanto constrangedor. Rita parecia séria, mas nunca fora de grandes sorrisos, então nada anormal.
Luís estava cansado. Estava só no meio da semana e o desgaste emocional estava acabando com ele. Esqueceu do mundo e foi dormir. Esqueceu até do celular carregando no escritório. Mas Rita não esquecera.
A mulher deu um beijo de boa noite no marido e foi atrás do aparelho. Desconectou do carregador e o ligou.
Assim que a tela se acendeu, uma mensagem chegou. Nem num mundo ideal Rita esperaria tanta coincidência. O número de quem mandou estava identificado como “Sabrina”.
“Sabrina?” pensou Rita “Parece nome de uma prostituta barata”.
Mas o que mais lhe atiçou a curiosidade foi pensar que aquele não era um nome comum para pessoas da idade dele. Na verdade, parecia um nome bastante jovem.
A mensagem era clara e não deixava qualquer dúvida. Abria portas para que Rita soubesse mais sobre a inimiga.
“Tem sido difícil pra mim. Não agüento mais ficar sem te ver. Ser apenas sua aluna está me machucando. Hoje, na aula, fiquei te olhando sem prestar atenção em mais nada. Não sei mais o que fazer. Beijos, Sabrina”.
Aluna.
Aluna?
Quantos anos tinha a aluna mais velha de Luís Pedro? Dezoito?
Certamente não mais que vinte e cinco.
Uma coisa era certa: era uma questão de tempo até que descobrisse tudo sobre ela.
Isso porque tal informação estava bem ali, ao seu alcance:
Era quarta-feira. Bastava pegar a programação do marido e ver para quais salas ele dava aula de quarta. E nessas salas, buscar o nome Sabrina. Então, apenas por curiosidade, procurar seu rosto no carômetro que todo professor tinha. Ironicamente simples.
E foi exatamente o que ela fez, sem a menor dificuldade.
Dezessete anos. A idade de sua filha. Uma jovem com cara de criança. Bonita, sim. Mas uma criança. Quantas coisas passaram por sua cabeça naquele momento? Quantos palavrões, quantos xingamentos? Mas ela guardou tudo dentro do peito, fechou os punhos com força e se lembrou que Luís saíra do apartamento ao lado do colégio. A garota então morava lá, provavelmente apenas para estudar.
Tudo era tão fácil que chegava a ser monótono.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
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3 comentários:
to adorando...eh uma pena q vai dar tanto rolo...
pra rita pode ser monótomo, mas pra gente não! rsrs to adorando!
Pra Rita pode ser monótomo, mas pra gente não! rsrs To adorando [2]
vcs são demaais! ;* s2
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