E isso não podia ficar assim. Como já dito, até que tudo fosse só sexo, estava ótimo. Conseguia conter a culpa numa traição carnal, mas não emocional. Já não bastasse trair a mulher com uma aluna menor de idade, ainda cai na besteira de se apaixonar por ela? Difícil é julgar, pois qualquer pessoa de fora o condenaria por seus atos. Um professor sem a menor ética profissional, um marido infiel, um homem pedófilo. Teoricamente Luís Pedro era tudo isso. Mas aqueles que acompanham sua história desde o inicio têm uma chance de compreender o motivo de tal reviravolta.
E por isso, o lado bom de Luís Pedro o fez acordar para a realidade. Não podia continuar acomodado naquela relação. Não podia continuar vendo Sabrina. Não agora. Era perigoso demais. Podia não ter volta.
E seria errado pensar que ele simplesmente tomou tal decisão. Antes disso pensou no sofrimento da garota e ficou horas ensaiando palavras.
Horas não, dias. Uma semana, mais precisamente.
Uma semana que ele passou tratando-a da mesma forma, mas angustiando-se por dentro, sentindo como se afundasse num mar viscoso, do qual quanto mais nadasse, mais afundava. Um mar chamado paixão. E por isso não pôde esperar mais tempo. A dor lhe consumia só de pensar em dizer tais coisas à garota, mas era necessário.
Foi ao apartamento de Sabrina como combinado. A garota o aguardava numa camisola que o fez pensar duas vezes se queria mesmo dizer o que tinha pra falar naquela noite. Mas precisava ser firme. Senão hoje, nunca.
- Sabrina, senta aqui. Quero falar com você.
A garota estranhou, mas a felicidade que sentia nos últimos dias lhe dizia que era impossível que fosse uma notícia ruim. Afinal, apesar de para ela estarem praticamente namorando, sabia, e tinha perfeita consciência de que pra ele eram meramente relações sexuais. Então, supostamente, não havia nada pra ser terminado ali.
Sentou-se ao lado dele, olhando em seus olhos, procurando respostas imediatas e honestas, mas ele os desviou.
- Sabrina, acho melhor pararmos de nos ver dessa forma.
Ela congelou. Uma cascata gelada percorreu seu corpo.
- Por que!? – disse inconformada – O que eu fiz de errado?
- Nada, você não fez nada. – ele respondeu, segurando as mãos dela, tentando acalmá-la – É que acho que já passamos dos limites.
- Quais eram os limites? Ser feliz por uma semana e pouquinho? Isso era o limite? Tem razão, ultrapassamos, mas não faz sentido.
- Sabe que é errado.
- Sim, eu sei, já conversamos sobre isso e decidimos seguir em frente, não decidimos? Não estava tudo bem pra você?
Ele suspirou cansado.
- Estava tudo ótimo pra mim, Sabrina, é esse o problema.
- Não entendo… - seus olhos lacrimejavam.
- Tudo tem sido perfeito, não se preocupe com isso. Acontece que eu simplesmente não posso continuar com essa brincadeira. Nunca disse que lhe retribuiria, - completou, sabendo que se dissesse a verdade, ela nunca lhe largaria - e você sabia que isso podia acontecer a qualquer momento. Eram apenas encontros casuais, não? Não tinha nenhum compromisso.
- Eu sei, mas se eram apenas encontros casuais, não entendo por que têm de acabar!
- As pessoas têm de amadurecer um dia, Sabrina. A hora chegou pra nós dois.
- Isso não é justo! – ela bradou, levantando-se do sofá bruscamente, jogando uma almofada no chão – Me usou e agora quer dar o fora sem dar sequer uma explicação plausível. Cansou de mim? Teve o suficiente? Não me venha com desculpas, Luís Pedro, pode dizer a verdade. – ela gritava com os olhos furiosos e cheios de lágrimas.
- Só não acho que seja certo o que estamos fazendo.
- E quando você quiser mais de mim? E quando eu passar na sua frente, e quando eu estiver sentada na primeira carteira, vai olhar nos meus olhos, saber que te amo e continuar dando aula normalmente?
- Não vejo outra opção.
Sabrina mordeu o lábio inferior e permaneceu com os olhos cheios de lágrimas e raivosos olhando para ele. Fechou os punhos e baixou a cabeça.
- Eu vou te provocar de novo!
- Sabrina, pare com isso.
- Pare com isso? Pra você deve ser fácil dizer, não é? Não teve envolvimento nenhum, não se apaixonou, não se jogou de cabeça!
- Nunca disse que retribuiria…
- Nunca pedi pra que retribuísse! Só peço um mínimo de humanidade! Só peço, se não sente o mesmo, que não negue os meus sentimentos, não os jogue no lixo, não finja que eles não existem, não me trate como se eu esperasse dessa relação o mesmo que você! Meramente sexo! Fui honesta desde o início, nunca escondi o que sentia, você sabe que te amo desde muito tempo atrás. Não se faz isso com quem nos ama!
- Não diga besteiras! – era a vez de Luís de se exaltar, levantando-se e encarando-a de frente – Não sabe o quanto me importo com você. Não faz idéia do quanto tive que pensar pra te dizer isso sem te machucar!
- Pois machucou!
- Machucou porque você simplesmente não aceita o fim desse pseudo namoro. Isso nunca foi um namoro, menina!
- Aceito o fim, só não aceito que seja repentinamente, sem o menor motivo!
- Desde quanto precisava ter motivo? Não há namoro, não há necessidade de motivo! – os olhos dele começavam a marejar – Nos encontrávamos, de repente não nos encontramos mais, é assim que funciona, foi assim que você aceitou que fosse! Não há nada além disso, Sabrina!
- Por que você tem que ser tão frio!?
- Você tem que sair da minha vida, menina, você tem que sair, você não pode fazer parte dela, nunca devia ter começado, foi só um beijo, por que é que terminou assim? Por que é que você surgiu, por que é que eu me apaixonei por você?!
Os dois pararam num silêncio denso. Os olhos dele estavam tão vermelhos quanto os dela. Encararam-se uns instantes, até que ela voltasse seu choro nervoso e o abraçasse com força. Ele retribuiu.
- Eu disse que seriam apenas relações sexuais. Isso avançou para algo mais e não posso continuar assim.
- Está me pedindo pra aceitar ficar longe de você quando sei que gosta de mim?
Ele a abraçou mais forte, derrubando uma única lágrima.
- Desculpe. Mas é assim que tem que ser.
- Por que não me disse desde o início?
- Se eu aparecesse dizendo “estou apaixonado por você, Sabrina, então não vamos mais nos ver”, qual seria sua reação?
Ela lhe respondeu com um sorriso fraco e um tanto quanto tomado pela tristeza.
- Bem parecida.
Ele continuou abraçado a ela mais um tempo, enquanto ela chorava.
- Posso te pedir mais algo? Pode ficar aqui mais um tempo…? Não quero ficar sozinha…
Ele fez que sim e os dois se sentaram no sofá. Foi nesse instante que o celular de Luís tocou. No visor, o número do telefone de sua mulher.
Rita era o nome dela. A mulher de Luís Pedro aterrissara no aeroporto da cidade há duas horas. Não contou teve tempo de falar nada ao marido, fora chamada pela empresa em que trabalha às pressas. Os filhos ficaram em Brasília, devido aos estudos. Achou que surpreendê-lo não faria mal, aparecendo de repente.
O taxi parou em frente sua casa. O carro do marido não estava na garagem. Tocou a campainha e nada. Pediu para o motorista esperar.
Entrou em casa, mas não demorou para concluir que estava vazia. Era nove da noite, horário em que Luís Pedro devia estar em casa há tempos.
Voltou para o taxi e pediu que guiasse até o colégio. No caminho, quase chegando, pegou o celular e discou para o número do marido. Ele não demorou a atender.
- Luís? Onde você está?
- Em casa, ué.
- Como isso pode ser possível se EU estou em casa?
Do outro lado da linha, Luís congelou.
- Você voltou? Nossa, nem me avisou. – ele disfarçou. Mal continha o nervosismo.
- Fui transferida temporariamente, às pressas, não deu tempo de avisar. Onde você está? – a voz dela era acusadora, parecia prometer vingança.
- Ah, desculpe. È que não queria te preocupar, você tem estado estressada. Acabei ficando até tarde no colégio, tive reunião particular com a diretora. – tentou, olhando para Sabrina enquanto mentia.
- Tudo bem então. – respondeu a mulher – Te espero em casa.
Desligou o telefone e pediu que o taxista parasse em frente o colégio. Logo avistou o Vectra branco lá dentro, no estacionamento. Sentiu-se aliviada. Mas isso durou pouco, pois logo viu Luís sair do apartamento vizinho ao colégio, às pressas.
Ele havia contado a história à Sabrina rapidamente. A menina não entendeu muito bem de início, mas se tinha a ver com a esposa de Luís, era problema, com certeza. Saiu correndo e, distraído, nem viu o taxi parado do outro lado da rua.
Entrou no colégio e pegou o carro. Saiu cantando pneu.
Despreocupada, Rita chegou bem depois do marido. Alegou ter esquecido algumas bagagens no aeroporto. Abraçou-o e sentiu o perfume feminino de Sabrina impregnado em seu corpo.
Luís sempre fora fiel. Sua esposa nunca teve o menor motivo para desconfiar de uma traição. Entretanto, naquele momento, a única coisa que se perguntava era: Ele simplesmente escondia bem ou era recente? Porque a traição em si já era fato comprovado.
Mas começar a chorar, se debater e perguntar quem é ela não era bem a cara de Rita. Um homem como Luís Pedro não merecia uma mulher comum. Assim, ela se aquietou, fingiu estar feliz em vê-lo, e jurou a si mesma olhar nos olhos da amante antes que ele sequer suspeitasse que ela sabia de tudo.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
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3 comentários:
Ai gente... q rolo q vai dar em...
mais tá d+... mais quero sabrina e luis pedro juntos
meldels! que confusão.. adoro!
Mais uma mulher complicada na vida do coitado? hahahahahha MELDELS² to adoraando! Aliás... acho que a partir daqui que a história vai começaar a ficar legaal. Quem quer ver VERMELHO E BRANCO na globo levanta a mão \o
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