domingo, 13 de dezembro de 2009

Primeiro Capítulo - Sabrina

Depois da aula Sabrina ficou um tempo conversando com amigas. Meramente para observar o professor mais um pouco. Em momento algum sentiu culpa ou mesmo que fosse estranho. Era atraente, e ela tinha dezessete anos, nada mais natural. Ainda tocou no assunto com as amigas. “Repararam como o Luis está gato?”. O grupo de meninas concordou. Deram tchau ao professor quando este saía. Ele retribuiu e deixou a sala.
Sabrina levantou e checou se não tinha esquecido de algo. Olhou o relógio e percebeu que teria que correr se quisesse pegar o ônibus.
A garota morava durante a semana no apartamento à frente do colégio. Isso porque estudava em período integral, e trabalhava como monitora de Química, o que lhe consumia quinze horas extras semanais. Dividia a kitnet com mais uma amiga, e assim podia pagar sozinha o aluguel e se sustentar. Mas era sexta feira, dia de voltar pra casa dos pais.
Correu pelo corredor desviando do mar de alunos e professores. Mas teve um professor do qual não conseguiu se desviar. Ele falava ao telefone no meio do caminho.
Seu material foi ao chão. E também os dele. Luís Pedro desligou o celular, a ajudou a juntar as coisas e pediu desculpas.
- Não, desculpa eu. – pediu embaraçada – É que eu estava perdendo o ônibus, não olhei pra onde estava indo. É que não tem ônibus depois…
- Bom, então melhor correr mesmo. – disse ele entregando-lhe o material. – Até semana que vem.
Sabrina agradeceu e voltou a correr, um tanto quanto desnorteada. Suas pernas estavam mais fracas de repente. Parecia correr na água. A realidade só voltou a funcionar para ela quando saiu do colégio.
Nem toda força de suas pernas a fizeram chegar a tempo. Quando sentou-se no banco do ponto de ônibus, até teve esperanças de que este ainda não tivesse passado, mas após dez minutos nem sinal. Seria ilusão demais crer que o ônibus atrasaria tanto assim.
Levantou-se procurou na bolsa as chaves do apartamento. Odiava dormir sozinha naquele lugar.
Sua espinha gelou quando simplesmente não encontrou as chaves. Sua visão ficou turva ao lembrar que a deixara em casa, já que não dormiria no apartamento hoje.
Sentou-se no banco novamente, praticamente se jogando. Teve vontade de chorar. Os olhos ficaram marejados, mas ela respirou fundo e disse a si mesma pra se acalmar. Contou até dez e começou a pensar no que faria agora.
Foi aí que um carro parou um pouco atrás do ponto. O vidro fumê baixou e Luís Pedro buzinou para chamar sua atenção.
- E o ônibus?
- Já foi. – ela respondeu, assustada com a presença dele assim do nada.
- Quer carona?
Suas pernas amoleceram novamente. Como ele conseguia ser tão fofo? Fez que sim com a cabeça e entrou no carro.
- Me indique o caminho mais pra frente. É perto da minha casa, mas não lembro direito onde é. – Ele pediu, colocando o cinto de segurança.
- Ok. Mas não precisa me deixar tão perto de casa assim não.
- Imagina, hoje o mundo está muito perigoso. Quase fui assaltado semana passada.
- Nossa, que horror.
- Mas aí eu disse que era professor e o assaltante teve pena. – completou, rindo de sua forma característica ligando o carro.
No caminho, o celular de Luís Pedro tocou. Ele atendeu enquanto dirigia.
- Não, já saí. – ele disse – Estou chegando em casa.
- Vira aqui. – pediu Sabrina, um tanto quanto desconfortável por interrompê-lo ao telefone, mas sem opções, já que era a única entrada.
Luís virou, mas continuou ao telefone sem desviar a atenção.
- Não, não. É uma aluna. Sim, eu já saí, só estou dando carona pra ela. Eu ligo quanto chegar em casa, estou no trânsito – uma longa pausa. Sabrina viu seu rosto mudar de expressão – Depois conversamos sobre isso. – e desligou.
Ele pareceu irritado ao desligar, como se fosse algo que já o atormenta há algum tempo. Não disse mais nada a viagem toda e parou em frente à casa de Sabrina.
- Muito obrigada, professor. – ela disse – Até semana que vem.
- Até.
Luís Pedro curvou-se em sua direção e por alguns segundos Sabrina ficou sem ar. Deu-lhe um beijo de despedida que a fez corar até o cabelo. Em seguida destrancou a porta pra ela sair.
O que ela sentia já tinha passado há algum tempo de mero fogo de adolescente.

5 comentários:

Júlia disse...

Super fofo, bem escrito *--* E a musiquinha é um amor :D hahahaha Parabéns (:

Unknown disse...

sabe quando dá pra ver a história?? tipo filminho na cabeçaa. é mais ou menos isso. HOHOHOHOHO como vc fala, essa história é tensa

Fernanda disse...

UAU!

Super bem escrito como disse a Júlia... tô adorando já

panção disse...

HUAUHSUHASUHDAS Lulu, vc é foda! huasuhas
'dessa vez sabrina estava convencida de que se daria bem[...]E como se daria' XD PRÓ

Maiara Fernanda Moreno disse...

To adorando a história viu!!

;)