sábado, 26 de dezembro de 2009

Capitulo 6 - O Convite

Luís começara a olhar para Sabrina de outra forma.
Como não haveria?
Começou a achar que estava ficando louco, mas de repente reparava nas roupas que ela usava. Não gostava ou desgostava, apenas reparava. Notou também que ela voltou a falar com as amigas e não mais com o tal Gustavo. Não era algo muito notório. Ele simplesmente se lembrava mais dela do que dos demais alunos.
Por vezes os olhares dos dois se cruzaram no corredor. Mas logo desviaram. Era como um pacto. Fingir que nada havia acontecido.
Até porque, nada havia acontecido.
Ainda.

A semana transcorreu normalmente. Sabrina parecia ter se esquecido completamente do tal Gustavo e esteve absorta pela monitoria e a enxurrada de dúvidas dos alunos do primeiro ano e com suas próprias provas. Luís tentava conciliar a dor na perna com a rotina agitada,o que nunca tinha sido algo tão doloroso. Sentia falta de sua família,seu caçula,sua mocinha,um pouco menos de sua mulher,por mais que não gostasse de admitir isso. E a saudade,somada com a solidão e o estresse,deixavam-no a beira do precipício e a um passo da insanidade. Mas teria dois dias de descanso naquela casa sozinho, com a chegada do fim de semana.
O calor estava sufocante. Os alunos mal podiam esperar pelo fim do dia e tão pouco os professores. Como de costume, a última aula do dia de Sabrina era matemática e esta sentiu suas energias sendo renovadas,ao contrário de suas amigas.
Luís estava com humor mais ácido ainda naquele dia. Questionava os alunos sobre o capitalismo, contrastando com a frieza da Geometria Analítica. Sabrina riu de todas suas piadas e tentou mostrar-se aplicada. Queria que Luís percebesse o quanto ela dedicaria atenção a cada palavra entrecortada por um sorrisinho dele.
O som do sinal que anunciava o fim do período veio como uma benção. Sabrina ligou para sua mãe avisando que não iria para casa. Tinha prometido ajudar na faxina do kitnet no sábado e dormiria por lá mesmo.
Ela arrumava suas coisas com calma, pois não tinha que pegar o ônibus. Foi quando reparou no professor encostado no batente de fora da sala e estranhou. Jogou as coisas na bolsa, curiosa sem saber se poderia ser algo com ela. Ainda não tinha esquecido do suposto beijo e as caronas dele sempre eram bem vindas.
Caminhou até ele e esboçou um riso de canto de tchau. O professor não lhe deu oportunidade.
- Vai precisar de carona de novo né? - Perguntou Luís mais por educação. Travava uma batalha interna entre oferecer carona ou afastar-se.
- Ah prof...digo,Luís. Eu aceito sim carona – a garota bem sabia que não iria para casa naquele dia. Então o que estaria fazendo ela ao aceitar?
- Então vamos Sabrina.
Caminharam até o carro, com certo receio. Luís queria disfarçar de seus colegas de trabalho e agir como se fosse natural caronas entre professor e aluno, porém,logo as más línguas perceberiam a freqüência dessas caronas.
No carro, perdurou silêncio. Sabrina pensava no que dizer à sua mãe e também às suas amigas, que a esperavam para a completa faxina do dia seguinte. Quando o carro de Luís parou ao semáforo próximo à entrada de sua rua, ela resolveu que ia tomar alguma atitude.
-Luís, agora que me lembrei! Meus pais não vão estar em casa! E agora?Acho que vou ter que voltar ao apartamento. Desculpe-me, me desculpe...
- Agora que você me diz! Depois eu quem sou velho – Luís Pedro estava irritado, mas não conseguiria explodir com alguém como aquela menina dos olhos claros. - Quer carona de volta?
- Não, claro que não! Deixe-me aqui no ponto de ônibus que eu volto sozinha... Ainda não passou o último ônibus para o centro... - Sabrina disse sem muita convicção.
- Olha, eu devo estar ficando com o coração mole mesmo... Quer jantar antes de ir embora? Minha empregada deixa a janta pronta antes que eu chegue e eu vou comer sozinho. Posso te levar depois, só porque sou um amor!
- Então tá,mas tenho que voltar antes das dez,ok!? - a menina não conseguia contar a felicidade que a consumia, tentando inutilmente parecer indiferente. Sabia que comeria muito bem aquela noite.

Um comentário:

Júlia disse...

Eitaaaa! auhahuahuauhauh
Tô adorando esse livro, adoro professores sexies, bsj :D
E eu já falei que amo a musiquinha q fica tocando? :P

beijos e parabéns pela boa escrita